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Saúde emocional e impactos psicológicos da violência


Psiquiatra Dr. Nélio Tombini, autor do livro A Arte de ser Infeliz: Desarmando Armadilhas Emocionais. Créditos: Arquivo CREA-RS

No terceiro painel do evento promovido pelo CREA-RS, por meio do Programa Mulher e da Câmara Especializada de Engenharia de Segurança do Trabalho, em parceria com a Secretaria da Mulher do RS, o Psiquiatra Dr. Nélio Tombini abordou o tema "O Emocional Pode Estragar nossas Vidas e Relações".

“Nós temos pouca intimidade com o que temos dentro de nós. E, assim, frequentemente, se nos enredamos em seu próprio mundo interior, o que acaba tornando sua vida e a convivência com os outros desafiadoras, repletas de dificuldades e conflitos. Se não identificadas e tratadas, essas questões emocionais podem levar a problemas de saúde mental’, afirmou. 

Autor do livro A Arte de ser Infeliz: Desarmando Armadilhas Emocionais, Dr. Nélio Tombini relatou sua trajetória no tratamento dessas questões desde que, há 38 anos, criou na Santa Casa de Porto Alegre um espaço específico para acolhimento e tratamento das questões que envolvem os sofrimentos psíquicos. “´Tínhamos encontros semanais, onde, em conversas, conseguíamos identificar o que era uma doença química do que era mera ‘atrapalhação’.  

Falou, ainda, de sua experiência no atendimento de homens presos ou alvo de medidas protetivas por violência doméstica e de gênero, “Conversávamos e eles passavam a ter maior percepção do comportamento deles e do porquê da agressividade, no final de cada grupo, era aplaudido por eles”, contou aos presentes. 

Para ele, há uma presença significativa de transtornos mentais nos casos de feminicídio, o que exige ampliar o olhar também para os homens envolvidos nessas situações. “Precisamos cuidar dos homens, olhar para eles. Muitos estão desorganizados emocionalmente, não são as mulheres que os ‘enlouquecem’”, ironizou, ao defender a criação de grupos de acolhimento semelhantes aos Alcoólicos Anônimos, inclusive com caráter obrigatório em determinados contextos.

Nesse sentido, destacou que iniciativas coletivas de escuta e partilha como forma de penas alternativas, como os grupos de apoio, muitas vezes alcançam resultados mais efetivos do que abordagens exclusivamente clínicas. Para ele, é fundamental que esses homens sejam inseridos em espaços estruturados de acompanhamento, nos quais possam refletir sobre seus comportamentos e desenvolver maior consciência emocional.

O especialista também abordou o papel das organizações, ressaltando a importância de preparar integrantes da CIPA para uma escuta qualificada e atenta. Segundo ele, é necessário enfrentar temas difíceis com responsabilidade, promovendo o diálogo direto e acolhedor. “Quem integra uma comissão precisa gostar de pessoas, saber ouvir e acolher. Falar sobre os problemas já é, por si só, parte do processo de ajuda”, destacou.


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