Discussão sobre ambientes de trabalho seguros e acolhedores lota Plenário Farroupilha

CREA-RS e Secretaria da Mulher em parceria. Créditos: Arquivo CREA-RS
Nesta quarta (1), o CREA-RS, por meio do Programa Mulher e da Câmara Especializada de Engenharia de Segurança do Trabalho, em parceria com a Secretaria da Mulher do RS, promoveu o I Encontro do CREA-RS sobre Ambientes de Trabalho Seguros e Acolhedores.
O evento, também transmitido no canal do YouTube do CREA-RS, reuniu representantes de empresas, CIPAs e profissionais da área, com debates sobre a NR 1 e temas como violência doméstica e reflexos no ambiente de trabalho; legislação de proteção às mulheres; saúde emocional e boas práticas nas empresas.
Na mesa de abertura, a Eng. Amb. Nanci Walter, presidente do CREA-RS; a Enf. Fábia Almeida Richter, secretária da Secretaria da Mulher do RS; a Eng. Geól. Bruna Koppe, coordenadora do Programa Mulher RS; e o Eng. Seg. Trab. Alexandre Eberle Alves, coordenador da Câmara de Engenharia de Segurança do Trabalho do CREA-RS.
Primeira mulher a assumir a Presidência do Conselho gaúcho em 93 anos, a Eng. Amb. Nanci Walter, falou do orgulho de receber o evento e discutir tema tão importante. “Estava aqui resgatando da memória nossa primeira reunião com a secretária Fábia Almeida, em dezembro de 2025, quando conversamos sobre como a Engenharia poderia ser aliada às propostas da Secretaria da Mulher – e encontramos essa consonância na CIPA”, destacou, lembrando também da abertura do Abril Verde, mês dedicado à segurança e à saúde nos ambientes de trabalho. “Mais um motivo de orgulho por ser parceira nessa mobilização.”
Ela comentou ainda a observação das colegas de mesa, sobre o número de homens na plateia, ressaltando que as engenheiras costumam estar em menor número nos ambientes onde circulam. “Nas 21 presidências do CREA-RS, fui a primeira mulher eleita por voto, mas penso que, sempre que somos as primeiras, nos surpreendemos, porque não queremos ser as únicas. Por isso damos importância a incentivar e fortalecer a presença feminina em todos os ambientes. Isso passa por garantir nossa segurança no trabalho, e a atualização da NR 1 é uma oportunidade para olharmos com mais atenção para esse tema. Quando há conflito entre marido e mulher, temos que intervir com qualquer instrumento que esteja ao nosso alcance.”
Secretária da Secretaria da Mulher do RS, a Enf. Fábia Almeida Richter também falou do momento especial e do tema tão pertinente. “Hoje é um dia especial. Um daqueles dias que encerramos com a sensação de missão cumprida. Quero, antes de tudo, agradecer à presidente Nanci pela parceria e pelo compromisso em reverberar tudo aquilo que acreditamos e defendemos: a proteção e a valorização das mulheres”, apontou.
Salientou que estava se despedindo da Secretaria com o coração cheio e com a certeza de que houve avanço. “Talvez muitos não conheçam, mas nós, mulheres, sabemos bem: toda vez que entramos em um ambiente, ainda encontramos desafios. Eles estão nas entrelinhas, nos olhares, nas oportunidades que ainda não chegam de forma igual. Não importa onde estamos – ainda enfrentamos dificuldades como a desigualdade salarial e a falta de reconhecimento. A sociedade precisa de homens e mulheres. E, à medida que as mulheres foram conquistando seu espaço, foram também mostrando sua capacidade de transformar, de liderar e de construir. Lembro de algo muito pessoal: escrevi uma carta para minha filha pedindo desculpas pelo mundo que estamos entregando. Um mundo onde o feminicídio ainda destrói famílias – filhos que perdem suas mães, enquanto pais são levados à prisão. Não há um perfil único: todas nós estamos em risco”, lamentou.
Para ela, as mulheres vivem um momento de mudança. “Já não aceitamos mais não sermos o que desejamos ser. Não se trata de a mulher subir e o homem descer. Trata-se de equilíbrio, de respeito e de corresponsabilidade. Precisamos parar de dizer que homem não cuida da casa. O cuidado é um valor humano, não de gênero”, explicou.
Segundo a secretária, ainda existem resquícios de uma sociedade que tenta manter as mulheres em “quadradinhos”. “E é preciso refletir: quem é o homem que agride? Muitas vezes, alguém que sequer se reconhece como criminoso. Isso também é reflexo de uma cultura que precisamos transformar. A Norma Regulamentadora nº 1 abre um caminho importante: levar essa discussão para dentro das empresas. “Não podemos perder essa oportunidade. O ambiente de trabalho também é espaço de transformação social. Os conflitos que vemos muitas vezes refletem dores que as pessoas carregam. Falta empatia, falta compaixão, que são as qualidades das mulheres.”

Ressaltou que a Secretaria criou várias ações nos municípios, ampliando o diálogo, levando informação e transformação. “Já percorremos centenas de cidades, e sabemos que é possível fazer diferente. Vocês têm um papel fundamental nisso. Através de programas, como a CIPA, e da produção de conhecimento, podemos mudar realidades. A mudança começa em cada um de nós – dentro de casa, no trabalho e na sociedade", sugeriu.
A coordenadora do Programa Mulher CREA-RS, Eng. Geól. Bruna Koppe, destacou a importância da parceria e da aproximação com a Secretaria da Mulher e comentou o contexto atual do encontro, referindo-se ao aumento dos casos de violência de gênero no RS. "O evento de hoje sobre ambiente acolhedor perpassa os recentes episódios de violência contra as mulheres, inclusive na minha cidade. Precisamos estar preparadas para essa nova realidade, em que cada vez mais mulheres ocuparão espaços em todos os setores, especialmente na nossa área, que é majoritariamente masculina. Por isso, considero muito relevante ver, pela nossa plateia, que não falaremos apenas para mulheres, mas também para homens. Como coordenadora do Programa Mulher, sinto-me muito grata e feliz, e tenho certeza de que este será o primeiro de muitos encontros."

Finalizando a abertura, o Eng. Seg. Trab. Alexandre Eberle Alves, coordenador da Ceest, falou da responsabilidade em um evento em uma mesa só de mulheres e da aprovação da NR 1. “Falando como Engenheiro de Segurança de trabalho, é a mulher tem um importante papel neste processo. Como a Cipa por exemplo pode proceder. Estou orgulhoso de representar a Ceest neste evento.
Na sequência, começaram os painéis.
Violência doméstica e seus impactos e seus impactos no ambiente de trabalho
Aspectos legais de proteção às mulheres: Lei Maria da Penha e Lei do Feminicídio

